



Hoje, 3 de agosto, FERNANDO BRENGEL, o autodenominado “Sujeito Bonito”, soma velinhas, pois, como é fato, “Sujeitos Bonitos” não apagam nada. Nem pagam! Mas, num inusitado ataque de bondade, o “Sujeito Bonito” do dia, oferecerá uma cervejinha (atentem para a sutileza – não é “cervejada”, mas “cervejinha”).
O encontro será em um bar da Pompéia, reduto do meliante (ops!), digo, do “Sujeito Bonito”. Daria o endereço com o maior prazer, mas... Recentemente, o BRENGEL fez uma pescaria e veio contando todas as histórias possíveis de um pescador. Muitos, enormes peixes. Pesadíssimos, gigantes peixes! Vazou a prova do imenso peixe conseguido pelo pescador BRENGEL.

Postada a foto, alguém leva fé na possibilidade de BRENGEL pagar cerveja pra todo mundo? Claro que não. Somos nós que teremos que pagar dúzias de cervejas para esse adorável amigo. Ele merece bem mais que isso.
- Brengel, feliz aniversário. Desejo eu e todos os nossos colegas de trabalho.
Grande e carinhoso abraço.
Até!

A primeira estação que conheci.
Das lembranças de infância tenho como preciosas as viagens de trem, freqüentes, que fazíamos de Uberaba a Campinas, com eventuais paradas em Ribeirão Preto. Era mais confortável e – lembro-me bem – não foi difícil viajar com o tronco envolto em gesso por um problema de coluna na adolescência. Podia andar entre um vagão e outro, passando pela primeira classe, a segunda, o carro restaurante... As janelas eram disputadas – não, não havia ar condicionado – e além da ventilação havia a paisagem. Conheci cada cidade, cada posto em que os trens paravam.
Mal o trem saia, duas personagens apareciam. O chefe do trem, que vinha verificar as passagens, validando-as e o garçom. Esse era o que eu mais esperava. Vendia refrigerantes, sanduíches, geléias e... refeições. Podia-se ir ao carro restaurante ou comer um “PF” básico, por preços acessíveis.
Das lembranças da estrada e suas respectivas estações, algumas mereceram especial carinho do garoto que fui. Em Jaguariuna, um barzinho com balcão que dava para a plataforma, vendia mexericas em cestinhas de vime. Era quase um fetiche e aguardava a chegada da cidade, da estação, com grande ansiedade.

Atravessar o Rio Grande era ganhar o mundo.
As pontes sobre os rios eram atração a parte. A do Rio Grande, que nos trazia para o Estado de São Paulo, a de Mogi-Guaçu, passando pelo rio cheio de pedras, a ponte sobre o Rio Pardo... Há sinais de tiros da Revolução de 32, na ponte do Rio Grande, e já não me recordo o nome da ponte que os revolucionários, com receio de alguma emboscada, fizeram com que meu avô atravessasse com eles, sob ameaça de morte caso algo não desse certo.
Meu avô trabalhou 45 anos na Companhia Mogiana e depois, aposentado, morou em uma casa no bairro Taquaral, em Campinas, em rua paralela à estrada de ferro. Tios, primos, trabalharam em diferentes cargos, em diferentes ramais e estações.
E tem a história do Gavião: Como começou? Não se sabe e não há registro. E todo aquele que trabalhou na Mogiana, como garçom, costuma assumir a autoria do fato. Entre as estações de Ituverava e Canindé, outras vezes, na região de Aguaí, um gavião acompanhava o trem. Um garçom ficava com um pedaço de carne espetado em um garfo, esticando o braço para fora do trem, até que o pássaro conseguisse pegar a refeição.
“Meninos, eu vi!”. E era mágico. O trem noturno saia de Campinas por volta das 22:00 e chegava em Uberaba dez, doze horas depois. Portanto, era de manhã, antes do almoço, quando o trem ia em direção a Minas Gerais que o fato ocorria. Não tenho certeza de quantas vezes presenciei o acontecimento. Chegava no trecho habitado pela ave, o trem diminuía a velocidade e todo mundo corria para as janelas. A linha tinha muitas curvas e corríamos de um lado para o outro do vagão para presenciar o acontecimento. Foram anos com isso ocorrendo e houve momentos em que dois pássaros – pai e filho? – acompanhavam o trem. Há registros desse fato até 1977 e, repito, perderam-se os fatos de como tudo começou.

Antiga foto da Estação de Campinas, hoje transformada em Centro Cultural.
Essa história toda vem a propósito de uma entrevista dada por MARIO BENEVIDES, quinta-feira, ao PROGRAMA DO JÔ. Um velho garçom da extinta Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. A produção do programa, precária, não soube levantar os dados corretos sobre o percurso Campinas-Brasília, o Trem Bandeirante, como era chamado. Assim, quem viu o programa ficou no dry-martini que o garçom preparou e nas brincadeiras sobre os nomes dos filhos do mesmo. O programa pecou em uma informação fundamental: a linha existe, funciona para trens de carga, o que não existe são trens que transportem passageiros.
Resolvi escrever sobre o assunto porque é fundamental que possamos – sempre – reivindicar de todos os governos a retomada dos trens de passageiros, sem que a gente precise de uma Copa do Mundo para que isso ocorra. São mais confortáveis, ecologicamente corretos... e por ai vai. Perdemos os trens para a indústria automobilística e presenciamos hoje o caos urbano, as estradas cheias e perigosas, só para citar dois problemas.
Aqui escrevo habitualmente sobre música. Como os trens ficam nisso? Simples, ouçam “O Trenzinho do Caipira” (Heitor Villa-lobos), “Ponta de Areia” (MILTON NASCIMENTO / FERNANDO BRANT) e tantas outras canções sobre o tema. Eu, como bom mineiro, gosto demais disso, Sô!

Isso é "Trem bão!"
Até!

"Peron, Evita e Che" na montagem de Jorge Takla
A barra está pesada. O clima é denso e as férias escolares chegando ao fim. Preciso de ânimo e de um campo aberto, quente, sentindo o impacto que é a visão de uma plantação de girassóis. Segundona braba. O mínimo que consigo são girassóis virtuais. Benditos os que inventaram a fotografia e todos os que têm sensibilidade para fixar no papel girassóis e similares.

BOA SEMANA!
Até!

Fora de casa as coisas não fluem como deveriam. Adaptações constantes e alguns atrasos são inevitáveis. Por isso só agora escrevo sobre JERRY RAGOVOY, que faleceu na última quarta-feira e cuja morte foi divulgada em larga escala no sábado, dia 16. Para começo de conversa, JERRY RAGOVOY criou "Time is on my side", dos ROLLING STONES; também é o autor de "Piece of My Heart", "Cry Baby" e "Try (Just a Little Bit Harder)" imortalizados por JANIS JOPLIN.
No auge da carreira e quando RAGOVOY realizou essas incríveis criações, balada era só um tipo de música. E as citadas acima são mais que um exemplo da emoção arrebatadora que o compositor soube imprimir em letras com seus inspirados parceiros.
VERT BERNS é o parceiro de “Cry baby”, a música que só ouço na voz de JANIS JOPLIN e que, se der bobeira, choro junto. As baladas de RAGOVOY, os blues interpretados por JOPLIN... definitivamente, uma época pra ficar na história e ser relembrada sempre. O compositor faleceu aos 80 anos, em Nova York.
Para lembrar o autor, a intérprete e a canção:

Ontem vimos a volta da novela O Astro. Hoje é aniversário de JOÃO BOSCO. Certamente a abertura da novela não foi pensada como um presente para o compositor mineiro. Todavia, manter BIJUTERIAS, a música de JOÃO BOSCO & ALDIR BLANC na abertura da novela é mais que homenagem, é obrigação. Melodia e letra se fundem para caracterizar com maestria a personagem central proposta por JANETE CLAIR.
Em setembro,
se Vênus ajudar,
virá alguém.
Eu sou de Virgem
e só de imaginar
me dá vertigem...
E é com refinada ironia que a letra de ALDIR BLANC introduz o personagem, embalada na deliciosa melodia de JOÃO BOSCO. Não foi por acaso que ontem, no primeiro capítulo, o mago interpretado pelo grande FRANCISCO CUOCO entregou uma ametista ao “sucessor” RODRIGO LOMBARDI. Música e personagem estão casados, muito bem casados.
Minha pedra é a ametista,
minha cor, o amarelo,
mas sou sincero:
necessito ir urgente ao dentista.
Penso que a abertura de uma novela seja peça fundamental para o sucesso da trama. Isso quando o autor consegue mostrar em cada capítulo, tenha o folhetim 60 ou 200 episódios, uma face da proposta original. Um exemplo clássico é VALE TUDO, com a canção de CAZUZA interpretada por GAL COSTA. Na atual reprise do canal Viva, não consigo deixar de ver a abertura e ouvir GAL, melhor cantora de rock deste país, detonando um “Brasil” com seu incomparável talento. E talvez o sucesso da novela esteja nesse aspecto: a cantora intima: “Brasil, mostra a tua cara” e a cena acontece, com as falcatruas de um país marcado pela corrupção.
Afeita ao folhetim clássico, JANETE CLAIR também batia forte, “mas sem perder a ternura”. A autora deixou a receita de sucesso: “mande a personagem para o pelourinho”, o que vimos já no primeiro capítulo, com a prisão de Quintanilha. Mas as personagens de JANETE são heróis, mas sempre são seres humanos. A autora escreveu e a dupla JOÃO BOSCO & ALDIR BLANC confirma:
Tenho alma de artista
e tremores nas mãos.
Ao meu bem mostrarei
no coração
um sobre e uma ilusão.
Sessenta capítulos foram anunciados pela emissora de TV. E teremos a oportunidade de conviver com uma boa história, introduzida por boa música na abertura. Novela é coisa de brasileiro. E por mais críticas que venham contra, fomos já fisgados pelo vício da boa história. E sempre que esta ocorrer, estaremos frente ao vídeo, curtindo; afinal, o JOÃO BOSCO aniversariante, unido ao genial letrista ALDIR BLANC, nos define com graça e ironia:
Eu sei:
na idade em que estou
aparecem os tiques, as manias,
transparentes
feito bijuterias
pelas vitrines
da Sloper da alma.
Vamos lembrar a abertura original da novela?
Até!
Todo paulistano conhece pelo menos os versos finais da "Sinfonia Paulistana":
...São Paulo, que amanhece trabalhando
São Paulo que não pode amanhecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer.
Hoje faleceu BILLY BLANCO.E escolhi para lembrar o grande paraense, esses momentos: o BILLY compositor da "Sinfonia Paulistana" e o BILLY que, com poesia, combateu o preconceito com maestria, na "Banca do Distinto".
Conta a história que DOLORES DURAN fazia um show em determinada casa noturna carioca; havia um cidadão que nem olhava para a cantora; chegava a solicitar músicas para a cantora e compositora, mas nem um sinal de educação e respeito. Foi pra esse tipo de gente que BILLY escreveu a canção, aqui lembrada por WANDERLÉA:
Hoje é sexta-feira, dia de botar um "Pano Legal" e cantar em memória de BILLY. Pode ser a "Sinfonia Paulistana", a "Tereza da Praia"... tantas outras! Eu vou mesmo é de "Pano Legal". Pra quem não se recorda, é o primeiro samba desse vídeo com MARIA BETHÂNIA:
Até!