CINCO DIRETAS AO ZONA PUNK

postado por nenealtro em 26/03/2009


E hoje eu só quero ficar com você...

Entrevista originalmente publicada em:
http://www.zonapunk.com.br/ver_entrevistas.php?id=161


Na cena independente nacional e alternativa do rock modas vem e vão e uma banda fica. O Dance of Days, homenageado na última premiação do Zona Punk Best of 2008, atravessou gerações e agrega uma legião de fãs que acompanha a banda de maneira messiânica e tão intensa que destaca os próprios fãs da banda dos fãs de outras bandas do circuito. Conheço o Nenê faz anos e resolvi fazer uma entrevista diferente, com perguntas mais legais, sem esse lance de falar sobre internet, discos, carreira etc. Nessa nova seção separei cinco tópicos polêmicos (pra não ficar cansativo) e elaborei as perguntas. Acho que todos vão achar bem mais interessante do que tudo o que estão cansados de ler por aí. Com vocês, Dance of Days

 Por Wadimyr Cruz
http://www.papolog.com.br/wladcruz


 

1 – SOBRE A “EMO”ÇÃO NAS LETRAS

Wladimyr Cruz - As letras do Dance of Days são bem mais profundas que a grande maioria das bandas do mesmo circuito. E, ainda assim, contra a corrente, vocês tem uma legião de fãs fiel e fanática. Vocês acham que essa resposta vem do estilo de música que fazem? Melhor, como vocês definiriam o estilo da música do Dance of Days? Vocês se consideram ou não uma banda “emo” afinal?

Nenê Altro - Bom, eu acho que isso vem de escola. Escola musical e de identificação artística, eu digo. Música para mim é uma forma de expressão e eu escrevo tudo o que eu sinto, com o coração e não com um dicionário de rimas. Expressar sentimentos não é simplesmente escrever uma letra bonita para uma menina, por exemplo. Sentimento é amor sim, mas é também ódio, raiva, descontentamento, angústia, alegria, esperança. E o Dance of Days é isso, verdade nos sentimentos. Aprendi isso com Renato Russo, Morrisey, Ian Curtis... Minha banda punk nacional preferida sempre foi o Cólera. Não conseguiria fazer uma música que não transmitisse nada. Não foi isso que aprendi nem com isso que me identifiquei quando me apaixonei por compor. A música tem o poder de transformação, de inspirar ações e atitudes, de questionar, de trazer conforto. E pra mim é uma válvula de escape. Alguns escrevem poemas, outros pintam quadros, escrevem peças... eu faço música. Com paixão, com verdade, com transparência. Acho que por isso tanta gente se identifica... Quanto ao emo, somos uma banda de 1996. O emo ao que somos relacionados é o do Revolution Summer de Washington DC, do Embrace, Fugazi, Rites of Spring... que influenciaram a gente a montar a banda. Depois a garotada da onda emo do século XXI adotou a gente. Mas a gente não ligou não, a garotada curte um som, é gente fina, não é violenta. Não somos emo, mas sempre dissemos que nosso som é para todos. Quem quer curtir curte e será sempre bem vindo.



2 – SOBRE AS BANDAS NOVAS

Wladimyr Cruz - Muitas bandas novas tem surgido e demonstram uma ânsia desesperada pela fama. Vocês acham as bandas novas muito competitivas?

Nenê Altro – Eu acho que cada um tem seu jeito de se envolver com a música. Muitos encaram a música como algo estritamente profissional e são realmente bons músicos. E muitos são como nós, que não somos músicos, mas somos apaixonados pelo que fazemos. Crescemos na veia Ramones, “Do It Yourself”... Acho que todos tem seu espaço e tem fãs de acordo com sua proposta artística. O que eu acho hoje em dia é que sim, muitas bandas tem demonstrado pouca criatividade, sempre soam parecidas e são extremamente competitivas, até na hora dos shows (o que a gente via muito só no meio do metal melódico no passado e até hoje eu acho esquisito). E outra coisa é que muitas bandas são absurdamente descartáveis, tem seu momento de fama, fazem boas músicas, mas caem nas graças do grande público da mesma maneira que caem no esquecimento. Não sei... uma coisa que eu sempre quis com o Dance of Days foi deixar marcas. Tipo fazer uma música tipo “Tempo Perdido” do Legião ou “Funcionários” do Cólera. Algo que a pessoa fique velha mas olhe para trás e faça parte da história dela. Se uma pessoa gostasse de Dance of Days e depois isso não significasse nada pra ela, mesmo ela mudando de estilo de vida, acho que aí sim eu ficaria decepcionado. Mas acho que quem gosta da gente gosta com paixão. É o que vejo quando canto olhando nos olhos das pessoas.



3 – SOBRE HOMOSSEXUALISMO

Wladimyr Cruz - Recentemente você fez uma resenha na Love Rock explicando a música “Se Essas Paredes Falassem”, contando que é uma música contra preconceitos a homossexuais. Você já se relacionou com homens? Acho que ninguém nunca teve coragem de te perguntar isso de maneira tão direta, e sempre me perguntam se sei disso.

Nenê Altro – Não, eu não sou gay. Sou simpatizante, gosto das baladas, me sinto seguro no meio. E adoro as gírias hahahaha Só me envolvo com garotas bissexuais, que, de certa forma, também são gays (queiram as gays “puristas” ou não). Não como uma regra, mas são elas que me atraem mesmo. Sempre que posso vou a parada gay. Acho muito legal mostrar pra essa sociedade católica, falocrata e castradora que há muito tempo os homossexuais deixaram de ser uma minoria. Não gosto quando fazem piadas que depreciam os gays, quando ridicularizam... Acho que cada um na sua e cada um com seu espaço. Se a gente tem que engolir grupos de extrema direita religiosa contra a legalização do aborto, por direito democrático, por exemplo, porque a sociedade não pode dar o mesmo direito democrático aos gays? Acho a homofobia um sentimento amargo, feio e mesquinho.



4 – SOBRE AS DROGAS

Wladimyr Cruz - A sua imagem Nenê, nos últimos anos, foi totalmente relacionada a de um cara junkie, inconseqüente, afundado no álcool e nas drogas. Ultimamente em seu fotolog (/altronenealtro) você tem dado declarações falando de maneira avessa a tudo isso e tem se apresentado sóbrio nos shows. No que isso afetou e como isso vai afetar a carreira do Dance of Days?

Nenê Altro – Meu envolvimento com drogas sempre foi muito relacionado a depressão. O que, de nenhuma forma foi relacionado a glamour (ou não deveria ser) e sim com dor. “Linda”, que abre o disco mais depressivo que já escrevi em minha vida, fala aberta e diretamente sobre essa relação. Não é algo positivo. Aliás, não ter como ser positivo se a coisa em si é tão pra baixo. E mesmo depressivo e dentro do círculo vicioso eu demonstrei em minha arte a angústia de estar sem direção, de ver meus dias iguais e sem sentido, no mesmo disco, inclusive, em “Selene”. É algo fácil de entrar e extremamente difícil de sair. Não como essas campanhas idiotas do governo, feitas por gente de fora da situação. Você acaba relacionando o uso de drogas com felicidade, com risadas com os amigos, situações engraçadas e acaba se esquecendo de que tinha tudo isso antes de se afundar nelas. É difícil você pegar e dizer, nunca mais vou usar, mas eu posso sim dizer que não me fez e não me faz bem. E que eu quero me livrar cada vez mais disso. Quanto ao Dance of Days foi uma fase difícil, mas em seu pico rendeu o álbum “Lírios Aos Anjos” que foi a minha válvula de escape. Começa com um grito de angústia e termina dizendo que estou indo rumo ao cemitério (“Camposanto”, em italiano) a 300 km por hora. Rendeu também meu primeiro livro, sobre meu período morando nos hotéis do centro e sem rumo na vida... Muita gente gostava do Nenê depressivo e junkie, mas acho que muita gente está gostando também de me ver bem, rindo com os amigos, só bebendo cerveja e mais de bem com a vida. Sair das drogas não é algo fácil mas estou me esforçando muito. E acho que só em ter isso como algo determinante em minha vida já está afetando positivamente a carreira da banda.



5 – SOBRE AS GRANDES GRAVADORAS

Wladimyr Cruz – Nx Zero, Fresno e agora Glória, Fake Number, entre outras assinaram com grandes gravadoras. Bandas que iniciaram suas carreiras abrindo os shows do Dance of Days. O que pensam sobre isso? Tem ressentimentos? Porque as gravadoras não se interessam pelo Dance of Days?

Nenê Altro – Não sei. Talvez exista alguma coisa pessoal, algum motivo que desconhecemos, mas seguimos em frente. Não fizemos a banda com o propósito de correr atrás de uma gravadora e sim de tocar e se divertir. Acima de tudo gostamos da música que fazemos e nos achamos uma banda boa. Acho isso bem importante para a realização de qualquer músico. Pra mim, em especial, fazer música sempre foi mais necessidade de colocar pra fora o que penso e sinto do que qualquer outra coisa. Sempre fui o maior entusiasta, desde que o CPM 22 assinou, para que as bandas aproveitassem as oportunidades e abrissem mais portas para as bandas independentes. Uma vez assisti a um documentário do Ramones, não sei se foi o End of The Century ou o Ramones Raw, mas é uma parte em que o Johnny fala “As gravadoras não nos querem, então o que temos que fazer é envelhecer com dignidade”. Acho que isso foi o que mais me tocou quando penso no assunto. Sempre lembro da cena do Johnny falando. E acho que ele está certo. Vivemos da banda há anos. Não somos ricos, mas vivemos de música NO BRASIL como artistas independentes o que é uma conquista fenomenal. E viveremos por muitos anos, pois temos os pés no chão, gravaremos mais discos, faremos mais shows. E a vida é assim. Sempre analisaremos o que é bom e o que não é bom para a banda, o que pode e o que não pode mudar nossa proposta. E seguiremos assim. O que muita gente não sabe é que somos amigos de todas as bandas que você mencionou. E também de muitas outras bandas no mainstream. E o que achamos mais legal é o respeito que elas tem com a gente. Os donos de gravadoras não gostam do Dance of Days ou talvez não gostem só de mim, vai saber, mas como diria Chico Buarque, as filhas deles gostam hahahaha


AS CANÇÕES PROIBIDAS SERÃO CANTADAS

postado por nenealtro em 26/03/2009



Em Janeiro de 2009 o DANCE OF DAYS iniciou a tour CANÇÕES PROIBIDAS, ainda promovendo os álbuns "Insônia 2008" e "A Dança Das Estações".

A tour celebra o ano de lançamento do segundo DVD da banda, gravado em 4 de Outubro de 2008 no Hangar 110 e com lançamento programado para Maio de 2009.

Em 2008 a banda se dedicou a gravação de seus dois últimos álbuns e a produção do novo DVD.

Em 2009 o DANCE OF DAYS retorna com força total a estrada.

A Tour CANÇÕES PROIBIDAS está cruzando todo o país e você tem agora a oportunidade de presenciar uma parte dessa história que não tem fim.


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¤ DANCE OF DAYS "CANÇÕES PROIBIDAS" TOUR 2009
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[Janeiro]
10.01.2009 | "Dance Day" Especial Férias - Encontro de fãs no MASP
24.01.2009 | Limeira @ Kingston
31.01.2009 | Sao Paulo @ Hangar 110

[Fevereiro]
08.02.2009 | São Paulo @ Luar Rock Bar
14.02.2009 | Curitiba @ Hangar Bar
15.02.2009 | Curitiba @ Hangar Bar
21.02.2009 | Araraquara @ Caibar
22.02.2009 | Riberão Preto @ Mogiana
28.02.2009 | São Paulo @ Clube Outs

[Março]
08.03.2009 | Santo André @ Catedral
15.03.2009 | Guarulhos @ Rancho
21.03.2009 | Bauru Sp @ Under Rock Bar
22.03.2009 | Cubatão @ Esporte Clube Jardim Casqueiro

******** VOCÊ ESTÁ AQUI ********

27.03.2009 | Programa Radar @ TVE RS.
27.03.2009 | Porto Alegre - RS @ Garagem Hermética
28.03.2009 | Criciúma - SC @ Plano B
29.03.2009 | Blumenau - SC @ Donna D Pub.

[Abril]
03.04.2009 | SP @ Contemporânea Rock - Tarde de Autógrafos mais Jam.
04.04.2009 | Piracicaba @ Benjamim Rock Bar
05.04.2009 | Campinas @ Hammer
11.04.2009 | Santa Barbara do Oeste @
12.04.2009 | Ferraz de Vasconcelos @ Galpão Studio
18/04/2009 | Curitiba @ Hangar Bar (dois shows no mesmo dia)
18/04/2009 | Ponta Grossa @ Pub underground (dois shows no mesmo dia)
19.04.2009 | Osasco @ The Wall Rock Bar
26.04.2009 | São José Dos Campos @ Hocus Pocus

[Maio]
03.05.2009 | São Caetano Do Sul @ Perverse Rockstar
09.05.2009 | MG @ Confirmando
10.05.2009 | Belo Horizonte @ Matriz
16.05.2009 | SP @ Hangar 110
17.05.2009 | Barueri @ Barueri Futebol Clube
23.05.2009 | Vitoria @ Praia Tênis Clube
24.05 2009 | Rio De Janeiro @ R9
30.05.2009 | Rio Claro @ D'Vinci Music Bar
31.05.2009 | Jundiaí @ União da Villa

[Junho]
06.06.2009 | Guarulhos @ killer Queen
27.06.2009 | Itaquera SP @ Luar Rock Bar
28.06.2009 | Itaquera SP @ Luar Rock Bar

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¤ CONTRATE DANCE OF DAYS
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SOBCONTROLE PRODUÇÕES / ROCK TOGETHER SHOWS:
web:
http://www.fotolog.com/sobcontrole
email: sobcontroleproducoes@yahoo.com.br
msn: tyellodance@hotmail.com
Fones: (11)2976 3587 - (11)8649 7816 - (11)7028 8842

IMPRENSA: oficialdance@gmail.com / (11)2976 3587

FOTOLOG OFICIAL:
http://www.fotolog.com/danceofdays

MYSPACE OFICIAL: http://www.myspace.com/danceofdays

ESCUTE DANCE OF DAYS: http://www.tramavirtual.com.br/dance_of_days

ASSISTA DANCE OF DAYS: http://www.youtube.com/user/danceofdaysvideos


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¤ DANCE OF DAYS tem o apoio de:
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THE DANCE ARMY:
http://www.fotolog.com/thedancearmy
SIMSKATE & SIMS SHOES - http://www.sims.com.br
TRAMAVIRTUAL - http://www.tramavirtual.com.br
ROCK TOGETHER - http://www.fotolog.com/rocktogether
METEORO - http://www.amplificadoresmeteoro.com.br
CONTEMPORÂNEA - http://www.contemporaneanet.com.br
LBVIDZ - http://www.lbvidz.com.br
TOTÓ SEVERO TATTOOS - http://www.fotolog.com/totoart
CENTRAL GUITAR - 3283-0020 - 7156-4113 - eduardoguitartech@ig.com.br
HELLO CASES:
http://www.hellocases.com.br

COMPRE O MATERIAL DO DANCE OF DAYS NA GALERIA DO ROCK:
Dance of Days Rock Shop. Galeria do Rock, loja 302. Tel: 3333-2605


"MAKING REBEL KIDS SINCE 1997"


BOOGIE NIGHT

postado por nenealtro em 26/03/2009





Pois é galera, a partir de Abril eu retomo toda direção artística da balada (flyers, campanhas, internet, etc.). Muito obrigado a todos que me ajudaram nesse tempo sem micro e net. Agora tudo vai voltar a ser como na B_letrika!!!

Nessa sexta tem LetsGo Party com o Victor, participação do Ramiz e Felipe, toda galera vai colar então não percam!!! E olhem só a programação de ABRIL:


BOOGIE NIGHT

INDOOR RAVE - GLS - HARDCORE FEVER

RESIDENT DJS NENE ALTRO & ZUILLIAM

03.04 FRIGHT NIGHT (80´S+DARKWAVE+ALT.ROCK)
ADRIANO PACIANOTTO + GAGO

10.04 HOLIDAY CELEBRATE (WILL BE SO NICE!!!)
CAPILÉ (SUGAR KANE) + BI SOARES + DJ JUSSARA

11.04 BOOGIE FEST LIVE!!
ROCK BANDS + DJ SETS ALL NIGHT LONG

17.04 HULLA-LA!!! IT´S HAWAII 5.0!!!
FESTA HAVAIANA + COLARES + DRINKS
SAMUEL RATO (SURF MUSIC & PET SOUNDS)

24.04 THE BUBBALOO DISCO NIGHT
HYPER + FISH + FUFFA + MIGUEL

BRINDES ESPECIAIS:
DIA 03 DENTES DE VAMPIRO
DIA 10 PULSEIRAS NEON E BEXIGAS
DIA 17 COLARES HAVAIANOS
DIA 24 CHICLETES BUBBALOO

LUAR ROCK BAR
RUA CAROLINA FONSECA, 35 - PRÓXIMO A UNICASTELO
10 MIN DO METRÔ ITAQUERA - INFO:2053-8994 OU 9470-1800
ABERTURA CASA 23:00 – ATÉ MEIA NOITE R$5, 00 APÓS R$10, 00
PROGRAMAÇÃO WWW.FOTOLOG.COM/ALTRONENEALTRO


Os flyers ficam prontos nessa sexta!!!

LET THE CHILDREN BOOGIE!!!


THE TOTAL TERROR DECAY

postado por nenealtro em 26/03/2009





Todo mundo já ouviu falar no Total Terror, o "retorno do Sick Terror com os membros originais" e etc... Mas a história não é bem essa. Nenê Altro está aí fazendo o que faz de melhor: incomodando e causando polêmicas. Nunca está nem aí pra nada, nunca se importa com ninguém e TODAS as suas bandas ficam famosas... Gosta dele? Tem raiva? Pouco importa, ele está aí. Com vocês TOTAL TERROR. (entrevista por Xilip)

Link original:
http://www.idealshop.com.br/loja/entrevista.asp


Por que mudaram de Sick Terror para Total Terror? Qual a relação entre as duas bandas?

Nenê Altro -
Não mudamos, é outra banda completamente diferente. Até no som. Sick Terror era mais power violence. Total Terror é mais d-beat, mais cadenciado. E o nome da banda é The Total Terror Decay, a abreviação é só um apelido carinhoso hahahaha A relação é que quem formou o Sick Terror fui eu e o Marcelo Verardi. Fizemos as músicas na sala da minha casa com minha guitarra velha. Isso antes do retorno do Dance of Days. Depois que tinhamos todas as primeiras músicas feitas (Peste Católica) chamamos o Fábio e o Pingo porque a gente queria uns "punks do ABC" na banda hahahahaha Eu e o Marcelo escrevemos também sozinhos o segundo disco inteiro (Aborto Legal). O processo de composição ficou mais dividido com os outros membros do Sick Terror a partir do terceiro (43 segundos), quando o Nino entrou na banda. Aí fomos pra europa, voltamos, o Tyello entrou no lugar do Verardi e gravamos outras coisas e o LP (Eu Me Vendo Por Bem Menos Que Você Imagina), já sem o Nino na bateria. Fomos pra Europa outra vez. Voltamos da Europa, o Tyello saiu e logo depois eu saí. A história é essa. Não tem muito o que falar.

Por onde anda o baixista Fabio do Vale e os bateras Barata, Pingo e Sandro?

Nenê Altro -
Não vejo o Fábio desde 2005, quando saí da banda. Sei que gravaram mais discos, foram para a Europa... só isso. Sempre foi um cara bem agilizado e creio que deve ainda estar tocando por aí. O Barata até onde eu sei ainda toca no Sick Terror. O Pingo sumiu, o que é uma pena. Gostava dele desde o Negative Control. E o Sandro virou professor de bateria.

Porque você abandonou o Sick Terror sendo que você fundou a banda?

Nenê Altro
- Porque tanto o Fábio quanto eu temos personalidades muito fortes e as vezes isso pesa numa banda. Principalmente em 40 dias na Europa. Banda é que nem casamento, então antes de você matar sua esposa ou ela envenenar sua comida é melhor você largar tudo e arrumar outra mina.

Ainda há um intercambio com os países da Europa, seria possível uma nova turnê? Posso ir junto?

Nenê Altro -
Sim, eu me correspondo com a cena européia desde os anos 80. Na verdade a primeira tour do Sick Terror, de 2002, foi iniciativa minha e nós levamos a idéia a cabo em conjunto, traçamos roteiros e etc. Bem punk mesmo, só em squatts. Conheci o Freddy na galeria, mostrei o cd, falei da minha relação com a galera da europa mais antiga, do Lärm, que tinha lançado o flexi do Active Minds aqui e ele abraçou a idéia, lançou o disco lá e organizou tudo. Depois voltamos em 2004 mas essa tour foi mais organizada pelo Fábio. É possível sim uma volta pra Europa, mas não estou pensando nisso no momento. Se rolar um dia você pode ir junto se carregar as malas pra gente o rolê inteiro hahaha

Nos anos do Sick Terror poucos fãns do Dance of Days conheceram a banda, acabava sendo um publico bem diferente. Hoje seria possível ter uma aceitação pela gurizada?

Nenê Altro -
Não sei. Também não penso nisso. Formar o Total Terror foi mais uma necessidade. Tesão de tocar bagaceira mesmo. Amamos esse tipo de música e não conseguimos ficar muito tempo sem tocar. Se vão curtir ou não queremos que se foda.

João gordo participou do disco, como rolou isso? Como é seu relacionamento com ele Nenê?

Nenê Altro -
Ele é meu amigo, o Nino trabalha com ele... rolou naturalmente. É um cara hiper gente fina e manja de som pra porra.

E quando poderemos comprar o disco? Sairá em outros países?

Nenê Altro -
Vamos lançar o primeiro cd em caixinha de papelão, em parceria com a Ideal Records hahahaha Aí vocês poderão comprar pelo site. Não sei se vai sair em outros países. Sei lá. Tem doido pra tudo...

Ouvi boatos que você está livre de drogas, o que você estava usando? Voltaria a ser Straight Edge?

Nenê Altro -
Não estou livre de drogas pois eu bebo pra caralho. Mas estive afundado em cocaina e essa merda só acabou com minha vida. Ainda estou em processo de recuperação. É uma bosta e não recomendo pra ninguém. Não volto a ser Straight Edge pois respeito demais meus amigos sxe pra fazer uma coisa dessas com eles hahaha

Algumas pessoas desse meio grind e afins criaram um “preconceito”contra o Dance of Days e toda essa leva de bandas que vocês dividem os palcos. Você acha que irão recebe-los novamente nos shows desse estilo?

Nenê Altro -
Não nos preocupamos. Que se fodam todos eles. Quem quer curtir curte. Quem não quer que enfie o cotovelo no cu.

Você no Sick Terror sempre teve uma postura mais política em letras com sátiras, agulhas e protestos. Você ainda sente vontade em ser o Nene Altro um pouco mais panfletário?

Nenê Altro -
Ainda sou o mesmo de sempre. Não sei ser diferente. Isso as vezes me cansa até... E continuo cético igual à época do Sick Terror.

Nos shows vai rolar som do Sick Terror?

Nenê Altro - Tocamos covers de Discharge, Extreme Noise Terror e as vezes algumas do Sick Terror também, porque não? Nós que fizemos as músicas!!! hahahaha. Mas sério, sempre falamos que são covers. Não temos vontade de ser o Sick Terror pois as propostas musicais são bem diferentes. E sei lá, eles continuam na estrada e nós respeitamos a banda. Fazem seu trabalho. Se não respeitássemos não tocaríamos covers... é o que penso.

Quais são seus planos pessoais para 2009?

Nenê Altro -
Vou relançar meu livro "Os Funerais do Coelho Branco" pela Edições Ideal em alguns meses. E terminar meu segundo até o meio do ano. O "Funerais" vai ser revisado e vou adicionar algumas coisas. Estou em tour com o Dance of Days e, como o Nino trabalha com a gente e viaja por todo país, quero tocar com o Total Terror sempre que possível nessa tour. O que mais... Encher a cara com minha mina, irmos pra cama com mais mulheres, prometer bem mais que não vamos beber na hora da ressaca. É isso... Minha vida já é boa demais. Não faço muitos planos.


Escute The Total Terror Decay em:
http://www.myspace.com/totalterrordk
http://www.tramavirtual.com.br/total_terror_dk

Próximos shows:
http://www.fotolog.com.br/totalterror



BOM DIA...

postado por nenealtro em 17/03/2009



Uma das coisas que eu sempre prezei foi ser bem interpretado. Isso desde o início de minha carreira artística, nos anos 80, quando tinha as bandas carregadas de ideologias, mas, principalmente, depois de meados dos 90, no Dance of Days, que é uma banda que tenta tratar de assuntos sérios, mas sob um prisma de sensibilidade poética. Às vezes acho que esse meu jeito complicado dificulta um pouco isso, mas eu tento. Juro que tento. Sei que muita gente se apropria de nossas músicas e faz com que cada uma tenha um sentido especial em sua vida, mas eu gosto muito quando sinto que as pessoas saibam o que uma obra minha significa pra mim.

Uma vez eu vi um quadrinho na MAD, quando eu era bem novo, que era super bem sacado. Era uma exposição de artes em que estava o escultor e um crítico, e o crítico fala que achava que a obra expressava isso e aquilo dentro de tal corrente artística e na verdade ele pensava: “parece uma galinha torta”. Aí o artista respondia que era exatamente isso, que representava uma nova fase em sua carreira e bla bla bla e pensava: “porcaria, eu tentei fazer uma galinha torta” hahahaha E no fundo é isso mesmo. Muita gente tenta ver uma obra de uma maneira hiper complicada, mas uma poesia não tem que ser um absurdo de complexa pra tocar no ponto.

Por exemplo, eu acho Horizontes de Outono muito clara pra mim, fala de alguém que tem uma paixão e que deixa sua confusão a afastar dessa paixão por medo, fala de perder o encanto, de arrependimentos. Acho que é uma das coisas mais bonitas que já escrevi. E por mais que tenha um sentido único pra mim, a paixão no caso pode ser por qualquer coisa e acho demais quando vejo outras interpretações que façam sentido sobre essa e outras músicas. E aí eu tenho agora A Dança Das Estações, que é simples, bonita, fala de vida, de coisas boas. E eu acho que tudo é relacionado. Horizontes, A Dança, tudo faz parte de um mesmo contexto e me permite essa coisa maravilhosa que é tocar no íntimo das pessoas.

Acho que nunca conseguiria fazer uma música que não dissesse nada. Que não me representasse nada. Minha relação com minha obra é tão profunda pra mim que tem músicas que eu fiz como desabafo, pra colocar coisas pra fora em certas fases de minha vida e que hoje me trazem sentimentos ruins quando toco, por isso tento ao máximo deixar fora dos shows. Mas são músicas que eu precisei fazer porque é só assim que eu sei aliviar algumas angústias. Muitas músicas eu escrevi de uma vez, sem corrigir uma palavra sequer, em poucos minutos, como A Valsa de Águas Vivas e Interlúdio Para Um Bar de Estrada. Eu sentia como se elas se pedissem pra saírem assim.

Interlúdio eu estava gravando e tinha uma letra completamente diferente, outro nome e tal. Eu estava lá no estúdio, estávamos gastando horrores por hora, mas eu pedi pra parar. Senti que algo não estava certo, que tinha alguma coisa errada. Aí saí do estúdio, sentei na sala de espera, pedi um tempo sozinho e escrevi tudo. De uma só vez e em menos de 15 minutos. Voltei e gravei tudo no primeiro take. Senti como se tivesse tirado um peso de dentro do estômago. Algo que estava lá fazia tempo. Por isso acrescentei o 33 Anos Fora do Mapa no título. Porque eu senti a vida inteira que precisava ter feito isso, ter falado sobre isso, e até aquele momento nunca tinha encontrado esse “bar de estrada”, essa válvula de escape em minha vida. E hoje você vê né, essa música é uma das mais importantes pros fãs da banda. Muita gente tem “pecado é não viver a vida" tatuado.

Enfim, eu acredito que para qualquer artista autêntico a sensibilidade seja um reflexo de uma alma bem angustiada. E a arte está em colocar essa angústia pra fora como uma necessidade vital mesmo, pra conseguir respirar. Eu, por exemplo, detesto 90% dos programas que passam na Tv pela manhã. Só tem crime, desgraça, gente ruim fazendo maldade. Aí geralmente eu saio, vou tomar um café, olhar pras pessoas que estão indo trabalhar, vou ver elas conversando, dando risada. Me deixa bem melhor do que acordar pensando que o mundo é um lugar ruim e que a gente precisa é da “polícia na rua”. Não que eu seja alienado, muito pelo contrário eu acho que a gente tem mesmo é que arregaçar as mangas e tentar fazer desse mundo um lugar mais legal pros nossos filhos, por isso gritei “Acordem Crianças!” em Insônia. Mas é legal ver que não tem só maldade por aí. Tem o estudante cheio de sonhos, a dona de casa saindo com pão do mercado, as crianças nas ruas...

E por falar nisso, é pra lá que eu vou agora.

Um bom dia para todos.

Força sempre!

Nenê Altro



A DANÇA DAS ESTAÇÕES

postado por nenealtro em 17/03/2009

http://tramavirtual.uol.com.br/mp3PlayerW.jsp?id_musica=279272

Vem sem medo a meus braços, meu amor.
Que a tristeza não vai mais espreitar pelos cantos
e apertar assim o peito.
Fica assim, aqui perto,
que o teu cheiro me faz seguro,
teu calor me protege e teu corpo me cura o vazio.

Pra que brincar de ter razão?
É besteira não querer errar
e é tolice demais curtir a dor.
Deixa pra lá tudo isso
e vem dançar a dança das estações.

Ah, tenta não ligar pra essa gente
chata e sem graça.
São tolos demais
esses mortos cegos e adultos.

Gosto de te ver rindo
e da riqueza das coisas simples
que guardo qual tesouros.
E a beleza está em não ter pressa.
Que corremos demais, meu amor,
e é hora de parar, deitar na grama,
falar só besteira e rir da vida.

Ah, deixa isso pra lá
que esse mundo é todo errado.
Fica perto então
que tanta solidão já feriu demais.

Vem dançar a dança das estações.


HORIZONTES DE OUTONO

postado por nenealtro em 17/03/2009


http://tramavirtual.uol.com.br/mp3PlayerW.jsp?id_musica=266247

Cada vez que te encontro
eu me perco em devaneios,
na embarcação que me leva sem destino
ao oceano destes dias,
em que avistei tantos portos
que meu diário de bordo
é incapaz de saber dizer
quanto tempo faz que eu nem sei se eu...
Eu nem sei se vou saber mais voltar.

Meu encanto se foi com o vento
e partiu-se em pétalas,
que dançam ao redor de teu farol
a implorar pelo apreço de teu olhar,
quando o orvalho em que minha nau navega
não pode mais esconder
ser das lágrimas dos anos que perdemos
mudando nossos rumos
e rasgando nossas velas
pra prosseguir a esmo.

E é fato que não sabemos
se voltaremos a encontrar
o que deixamos o tempo ruir
fechando os olhos
mas mesmo assim eu...
mesmo assim eu... queria tentar.

Náufrago com o corpo cansado,
no breu aguardo a tempestade
decidir se me atira outra vez as tuas praias
ou se enfim me leva às rochas
pra descansar.

E é tudo tão covarde...
deixar morrer as chances
por medo que barcos de papel não suportem
as cargas clandestinas
que fingimos não acumular com o tempo...

E é tudo tão impossível
que ateamos fogo nos remos.


Agora Escute...

postado por nenealtro em 05/02/2009




Os Funerais do Coelho Branco II - Em Linha Reta (Dance of Days) 

Composição: Nenê Altro


"Sartre da São João, hálito de bebida barata
e meio Vila Rica amassado no bolso.
Devorador de memórias de prostitutas e arruinados,
o doce prazer dos últimos trocados.
Hoje escreverei o livro de toda minha vida,
e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos.
Foi tudo um engano.
Um enorme engano do acaso.
E acabei aqui, vencedor mais derrotado, de troféu entre os braços,
sem ninguém pra me chamar de herói.
Velando meus coelhos brancos.
(...)
As pessoas não ficam, sempre passam,
evitam contato com o homem e seus desencantos.
E eu assisto tudo, como um filme de quinta categoria,
sem saber porque faço ou falo coisas.
Em um cinema sujo e triste, as mulheres me cospem, o coração desiste
e deixo o orgulho para as moscas.
(...)
Um brinde então, a esse odor de quarto úmido,
a televisão que não sintoniza.
Um brinde ao Domingo, ao tédio, a esse colchão imundo,
onde casais feios treparam por dias.
Eu sou herói de ninguém e quero um quarto sem espelhos.
Um corpo sem nome pra abraçar com os joelhos.
Porque hoje sou o que sou, o leão covarde da boca do lixo
na estrada de tijolos mais suja e cheia de bichos.
Decorei poesias, li Kierkegaard, Nietzsche até o raiar do dia.
E só conheci mesmo na vida os demônios sujos que não conhecia.
(...)
Verdade Fernando, jamais conheci mesmo quem levasse porrada
e todos que conheci me chutaram mesmo caído à calçada.
Holden estou aqui, de esperanças enterradas.
Atravesso, atravesso a estrada e nunca acontece nada... nada."


http://tramavirtual.uol.com.br/mp3PlayerW.jsp?id_musica=279277


OS FUNERAIS DO COELHO BRANCO - Parte I

postado por nenealtro em 05/02/2009




CAPÍTULO UM - Café e necrofilia, o defunto nunca esfria.

 

Opiniões.

As pessoas estão cheias delas.

E eu estou cheio delas.

Delas e das pessoas.

(...)

Aqui se escreve um testamento.

Aqui se faz aqui se paga.

Aqui se nega um juramento.

Aqui se nasce aqui se mata.

(...)

Já eu.

Eu não.

Eu não quero e não sei.

E já nem quero saber.

(...)

Só sei que pulso.

Pulso e sangro.

Não sei mais nada.

Nem sei se quero.

***

Era só um dia igual.

Ele abriu os olhos.

Sentiu o vazio.

Boneco do posto.

Cheio de vento.

Ele coçou a cabeça.

Cabelo ensebado.

Ele sente preguiça.

Preguiça da vida.

Era uma vez uma história.

Daquelas sem a mínima graça.

Sem porquinho, sem carneiro, sem pato feio.

Daquelas que você cansou de ouvir.

E cansou de viver.

No silêncio os subtítulos são dispensáveis.

E o filme é ridículo.

Ator podre.

Tradução medíocre do título original para o português.

Cenários que não se encaixam.

Era só um dia igual.

***

Segui pela rua da quitanda.

Suja.

Cachorro magro e velho na porta.

E eu odeio pombo.

Símbolo da paz.

Nunca estou em paz.

Penso em um monge budista com o rabo entupido de anfetamina.

Ele também odiaria pombo.

E usaria cinta liga.

Nirvana o caralho.

Passo aqui todo dia.

Cheira mal.

Deve ser o cachorro.

Café puro.

O pombo da quitanda cisca no chão do bar.

Rato com asa.

Agindo feito galinha.

O tiozinho no outro lado do balcão olha pra mim.

Nove e meia da manhã.

Deve ser sua terceira pinga já.

Tá em conserva.

Moribundo no formol.

Por isso não morre.

Por isso todo dia está alí.

Deve ser ele que fede.

Calendário de cerveja com mulher peituda.

Tão bonita que deve ser um saco.

Não tenho saco pra mulher assim.

Sorriso branco.

Peito e cerveja.

TPM, dívida, reclamação.

O Photoshop denuncia seu espírito.

Prefiro o cachorro, o pombo e o tiozinho.

E olha que eu odeio pombo.

No meu café não tem mulher peituda.

Mas tem um reflexo escuro.

Que eu queria esquecer.

***

Quando eu era criança tinha uma mulher velha que jogava um palito de fósforo aceso no café e via o futuro na mancha que fazia quando o palito apagava.

Sempre me levavam lá pra tirar quebrante.

Ficava nessa mesma rua aqui da quitanda.

Acho.

Tipo mais lá pra baixo.

Uma vez eu tomei um fora na escola e chorei em casa.

Minha mãe achou que era quebrante.

A velha jogou o fósforo.

Falou que era amor.

No dia seguinte foi a mesma merda.

Botei a culpa na velha.

Depois com o tempo descobri que o problema era o café.

Porque café não tem nada a ver com amor.

Café desce rasgando e te deixa ligado.

Amor não.

Amor é tipo leite.

Tem prazo de validade curto e azeda muito rápido.

E longa vida tem conservante.

Uma mentira embalada.

Só parece seguro porque está em uma caixinha.

Depois que abre é igual a qualquer outro.

Não sei como chorei por aquela ridícula da escola.

Ela era horrível.

Amor é tipo isso, derivado de leite com embalagem bonita na geladeira do mercado.

Você quer muito, as vezes fica doente de vontade, mas depois que bebe vê que nem foi tudo aquilo.

E sem as embalagens, no fundo, danone, queijo, manteiga... é tudo a mesma merda.

Fica lá em você boiando até sumir.

Teu corpo absorve o bom.

E o ruim vai embora.

***

Caulfield era rico.

Ou coisa que o valha.

Nunca vagou pelo Brás.

Nunca sentiu o verdadeiro tédio, cinco da tarde, no Domingo, na Av. São João.

Nunca andou a noite na Luz.

Nem escutou mendigo pedindo no trem.

Ou pegou fila do Bradesco.

Mas Caulfield desaparecia.

Antes de chegar do outro lado da rua.

Filho da puta.

Desaparecia.

Maldito.

Morro de inveja.

***

Nesse livro não tem aventura.

Eu sempre volto pra casa.

Sento no sofá.

Coloco um disco pra tocar.

Olho pra TV desligada.

Nesse livro não tem herói.

Não tem mensagem.

E ninguém é salvo.

Na banca tem Jornal de Esportes.

Odeio esportes.

São cerca de cento e cinqüenta passos da banca até minha sala.

Sabia também quantos paralelepípedos davam, mas esqueci.

Nesse livro não tem romance.

Só um dia igual.

Que nunca acaba.

***

O intervalo é a hora em que você vive.

E quando você vive geralmente desiste.

É por isso que nunca te deixam parar.

Até nos filmes os intervalos são entupidos.

Cheios de produtos pra comprar.

Coisas pra engolir.

Gente pra querer.

Música bonita.

Felicidade.

O intervalo é a hora em que você sabe.

E quando sabe geralmente para.

É por isso que nunca respirou.

Só colocou ar pra dentro e pra fora.

O intervalo não é coisa de deus.

Porque deus tem controle remoto.

Mais de duzentos canais.

Incluindo os de putaria.

E você só uma tela preta.

Em que imagina sua vida

Sem poder mudar de canal.

Nem parar.

***

Bruce Lee era o dono da quitanda.

E nem era o primeiro.

O pai dele também era Bruce Lee, eu lembro.

E esse aí fumava maconha atrás do laboratório da escola.

Hoje o pai dele tá jogado num asilo.

Falaram que tava gagá, que tinha dado nome pros repolhos e se recusava a vender eles.

Dizia que eram seus amigos.

Velho zoado.

Ganhou apelido de Seu Repolho.

Aí o outro virou Bruce Lee.

Reparei que o cachorro nunca entra na quitanda.

Deve ter nojo.

Ele nunca limpa em cima da quitanda, por isso aquela porra vive cheia de pombo.

O pombo vem, pousa na minha janela.

Aí o pombo sabe.

O pombo vai e volta pro Bruce.

O Bruce fuma cebolinha.

Aí o Bruce sabe.

Se eu vejo o Bruce o Bruce me vê.

Quando olha pra cá sei que olha pra mim.

Me disseram uma vez que não tem coisa pior do que ter pena de uma pessoa...

Por isso não tenho pena dele.

Vai morrer que nem o pai.

Amigo de repolho.

Por isso não tenho pena de mim.

Quero mais é que se foda.

Eu, ele e todos seus repolhos. Eu, ele e seu pombal imundo.

***

Eu bebo.

Dizem que o álcool dificulta a cicatrização.

Por isso tenho marcas.

E sinto as feridas abertas.

(...)

Também já tive fratura exposta.

Carne aberta e nervos.

Vermelho por dentro... as bordas do corte escurecem rápido.

Você só sabe mesmo do que é feito depois que vê.

(...)

Outro nome.

Outra ofensa.

Outro tapa.

O mesmo inferno.

(...)

Ando até a janela.

O cachorro ainda está lá.

Aposto que fede.

Fede quando late no buraco do tatu.

***

O telefone toca.

Ela pergunta como estou.

Disse que ficou sabendo por uma amiga.

Eu não digo nada.

Ela diz que se eu precisar de alguma coisa...

A TV desligada.

Enquanto isso Matador e Mata A. Dor...

Ela fala que quer me ver bem.

Que é pra eu animar.

Ela faz piada.

Deve também fritar panqueca, fazer escova e andar de monociclo.

Tudo ao mesmo tempo se for preciso.

Café e necrofilia.

O defunto nunca esfria.

O filme nunca para.

Mas odeio muito quando repete.

***

Uma vez meu quarto pegou fogo.

Eu estava no berço.

Lembro bem pouco.

Tinha um Mickey azul de borracha que ficou preto.

Lembrança pro futuro.

A cortina em chamas.

Queria lembrar mais.

Ou reconstituir um dia, quem sabe.

O telefone toca.

Tudo bem mãe.

Ela me viu nascer.

Diz que ficou sabendo pela amiga da vizinha da minha tia, ou algo assim.

Mais uma vez meu filho.

É... mais uma vez.

O Grande Irmão te vigia.

Eu preciso mudar de bairro.

Crônicas de Palomar.

Pergunto pra ela da velha do palito de fósforo.

Ela diz que não sabe do que eu estou falando.

Diz que eu preciso me cuidar.

Tudo bem.

Ela me viu nascer.

Perguntei do incêndio no meu quarto.

Ela perguntou se eu tenho dormido bem.

Maldito Caulfield.

***

Levanta do sofá.

Olha pela janela.

Olha pro fim da rua.

Ninguém vai aparecer.

Nada vai acontecer.

Ainda assim olha.

Volta.

Senta.

Pensa.

Levanta.

Janela.

Ninguém.

Nunca.

Pensa.

Esquece.

Deseja.

Envelhece.

Nesse livro ninguém é salvo.

***

Paixão inútil.

Também tive lá minhas feministas.

Mas não ficaram famosas.

Meu muro é a TV desligada onde contemplo o vazio.

O idiota da família.

Morreu cego e sem pulmão.

Não vejo adiante.

Nunca respirei.

Somos iguais.

Eu não sei como vou morrer.

E hoje tanto faz.

***

Assustei com o barulho da porta.

Quase caí do sofá.

Ela chegou e jogou as coisas na mesa.

Tinha levado por engano.

Disse que era o melhor a fazer.

Eu não dizia nada.

Perguntou se eu a amava.

Pensei na teoria do café e do leite.

Ela devolveu umas fotos.

Disse que separou.

Um pouco pra cada.

Mandou eu ver como estava feliz nelas.

Pensei em toda aquela gente bonita nos comerciais.

Na teoria do intervalo.

Disse que não era justo.

Disse pra eu falar alguma coisa.

A TV desligada.

Ela foi a última.

Tinha que ser.

Acende o fósforo e joga no copo.

Ela devolve a chave.

Me xinga.

Vai embora.

Ela usava uma camiseta preta.

No ombro dela tinha uma sujeira.

Uma pena.

Pena de pombo.

***

O cachorro levanta.

Desiste.

Senta.

Existe.

O velho bebe.

Esquece.

Some.

O pombo vem.

Vai.

Suja.

Bruce estica o braço.

Pega uma cenoura.

Tenho nojo de cenoura.

Desde que aquele ator de novela.

Enfiou uma no cu.

***

Nesse momento ele percebe que a simetria já não diz nada.

Nesse livro não há saída.

Sonha com um coelho com as quatro patas cortadas.

Pra garantir que não vai ter sorte de maneira alguma.

Quatro é par.

O rabo conta?

Então um é ímpar.

Neste momento então ele deve ser o único coelho no planeta nessa situação.

Ímpar.

Anda coelho anda.

Aproveita teu hype.

Anda logo.

Acaba.

***

Essa apareceu do nada.

Soube porque todo mundo já sabe.

O defunto nunca esfria.

Não deu desculpa nenhuma.

Ponto.

Me beijou.

Tirou a blusa.

Me jogou na cama.

Dois pontos.

Me falou palavrão.

Me deu tapa na cara.

Me fez esquecer dos pombos.

Três pontos.

Na TV desligada uma criança em seu velotrol pedala como se todo tempo do mundo estivesse a sua frente.

Sensação de eternidade.

De que nada importa.

Só o barulho do velotrol descendo as ladeiras.

Quando não é preciso pedalar.

Só deixar seguir.

Ela levantou.

Não fala nada.

Arrumou o cabelo.

Por favor, não fala nada.

Perguntou se eu lembrava como a gente tinha sido feliz.

Porque?

Alguém me explica porque elas sempre estragam tudo no final.

A TV encerra sua programação.

Eles estão aqui Carol Anne.

Eu nunca fui feliz.

Nunca gostei de leite.

Nunca respirei.

E agora estou puto porque lembrei dos repolhos.

Ela me xinga.

Deja vu.

Acende o palito.

Joga no café.

***

Desci a Rua Augusta.

Não sei porque vim.

As pessoas sorriem.

As mesas na calçada.

As putas sorriem.

Mas sorriem com sinceridade.

Te dão um sorriso esperando tua grana.

Não pescando felicidade na sarjeta.

Um conhaque.

Na mesa ao lado uma roda.

Um filho da puta com um violão.

Pedindo o dragão emprestado a São Jorge.

É um novo tipo de hippie.

Mais limpo, mais patético, mais medíocre.

E o bobo alegre se sente no Olympia.

A menina bate palmas.

Dá trela pro retardado e ele acredita que é artista.

Ela fez a sobrancelha torta.

A raiz do cabelo denuncia a chapinha.

É tudo uma farsa.

Minhoca bonita com anzol dentro.

Te beija e fura tua boca.

Quer felicidade.

Quer intervalo.

Quer a caixinha do longa vida.

Não conseguiu seguir a carreira de modelo e paquita.

E agora o desgraçado canta que quer ser um peixe.

Outro conhaque.

Eles chegam e sentam.

Estão felizes.

Me dizem estar preocupados.

Na verdade nem se importam.

Outra vez?

É, outra vez.

Quando você vai parar?

Eu não sei.

Ele diz que quer me ajudar a arrumar um emprego.

Não preciso de mais morte.

Ela fala de uma amiga.

Eu já fiquei com ela.

Ele sabe.

Finge que não se importa.

Mas odeia.

Odeia que o passado exista.

Odeia que eu já tenha visto ela pelada.

Me oferece um emprego.

Olho pra rua.

A puta sorri.

Conhaque.

A puta é sincera.

A felicidade é estética.

Casal de novela.

A menina bate palmas.

Amaldiçoo o inventor do violão.

Ele diz que é meu amigo.

Ela sabe que eu lembro.

Até os pombos sabem.

Eles sabem de tudo.

***

Acho que quando eu era criança essa calçada tinha carpete.

Ou isso foi num sonho.

Não importa.

Eu tinha passos menores, os quarteirões eram maiores... e eu não bebia.

Minha avó me ensinava modos.

Eu amava brinquedos.

Tinha amigos imaginários.

E não bebia.

Tinha medo de deus.

Não imaginava que ele era o Juca Chaves.

Nem que eu fazia parte de sua piada mais infeliz.

Porque no princípio a felicidade é tão concreta que tem peso, gosto e cor.

Lembra cereja.

No princípio as mulheres são meninas e brincam igual a gente.

Depois se fez a Luz, o Bom Retiro e o Bexiga.

Se fez a noite, o fim de semana e a busca.

Surgiram a casa, a janela, o velho, o cachorro, Bruce Lee e seus pombos.

O vazio.

E no sétimo dia Juca Chaves riu... até morrer.

***

Não sei porque liguei.

O que você quer?

Não sei.

Tá fodido né?

Ela sabe.

Só me procura quando tá fodido.

Todo mundo sabe.

Você é um filho da puta.

Não sei porque liguei.

Porque você não some?

Maldito Caulfield.

Você sabe que eu vou né?

Subtítulos dispensáveis.

É... você sabe.

Todo mundo sabe.

***

É um hotel simples.

Ele observa ela descansar.

Conhece esse corpo como a palma de sua mão.

Esse cheiro.

Sabe o que ela quer.

O que ela sente.

Como gosta.

Como goza.

E ainda assim, silêncio.

Ele levanta.

Janela de prédio é outra coisa.

Arouche.

Esse lugar é imundo.

Esse lugar lhe pertence.

Ele pertence ao lugar.

Ela acorda.

Ela sabe.

Não entende.

Contém a lágrima.

Tudo bem.

Ele não sabe.

Mas entende.

Dorme um pouco escutando ela falar.

Nesse quarto não tem TV.

Acende o palito e joga no copo.

É tudo uma grande piada.

E o diabo é o Costinha.

***

No Cambuci é sempre Domingo.

É tipo a Vila Ré só que mais cinza.

Uma vez umas trinta crianças passaram por mim com um boneco.

Amarraram naquele poste.

E malharam.

O boneco foi feito pelas mães delas.

Com carinho e dedicação.

Tinha um nome.

Tinha um propósito.

Teve início e teve fim.

Desde então eu me pego aqui nesse bar.

Nesse bairro em que eu não conheço ninguém.

Bebendo sentado na calçada.

Olhando para aquele mesmo poste.

Esperando a colheita maldita.

E o sentido desse livro sem personagens.

***

Coloco um disco pra tocar.

Pego minha agenda.

Penso Sid e Nancy.

O telefone é mais rápido.

O ser precede a existência.

Penso Manson e Tate.

Sim eu sei que dia é hoje.

Pra mim é sempre Domingo a tarde.

E o cachorro não se move.

(...)

Se essa rua, se essa rua fosse minha.

Eu mandava, eu mandava apedrejar.

Cada pombo, cada Bruce, cada velho.

Só pra ver o cachorro levantar.

(...)

Anda coelho anda.

***

Não entendi o porque do presente.

Não tô doente.

Não é meu aniversário.

Ela fala que quer me ver bem.

O defunto nem volta mais pra geladeira.

Resolveu ficar e esperar o que vai dar.

Eu vou sair.

Você andou bebendo.

Andei, sentei, pensei e tudo mais.

Tudo bebendo.

Ela não merece.

Que ela?

Eu quero mais é que ela se foda.

Que ela case com o Bruce Lee e tenha um casal de repolhos.

Fica aqui comigo?

Não, eu vou sair e você vai embora.

Você tá afundando.

Não, não tô.

Pensei Hy Brasil.

Você não me quer.

Não te vejo faz um ano.

Não sei nem porque veio.

Não entendi o presente.

Você lembra como a gente foi feliz?

Se somasse o que pensam todas elas sobre minha felicidade, minha vida seria a Disneylândia.

Não quero te tratar assim, mas me deixa ir.

Você vai atrás dela.

Que ela?

Porque mulher pensa sempre assim, como técnico de futebol?

Se uma sai outra tem que entrar em campo.

O defunto pede pênalti.

Deixa eu trancar a porta.

Pensei nela no monociclo, fritando panqueca e fazendo escova.

Não é culpa dela.

Coitada.

Ela quer felicidade.

Só que eu sei que isso não existe.

E que, caso o placebo que procura exista, definitivamente, não mora aqui.

Ela chora baixinho.

Me sinto mal.

Como elas conseguem fazer isso?

Pergunto o que foi.

Ela diz que cortou a mão.

Cortou mesmo.

Nos cacos de vidro do teu quintal.

Está cheio deles.

Ah é, eu quebro copos.

Lembrei que ela sempre chorava e o quanto isso me irritava.

Ela pede pra eu me cuidar.

A cada vez que percebo, Juca Chaves fica mais sem graça.

Nunca abri aquele presente.

Ficou lá com as cartas... que eu nunca li.






Copyleft Edições Ideal 2006 - Escrito em 2004/2005

MELHOR BLOG DE 2008

postado por nenealtro em 05/02/2009




Pois é galera, ganhei o prêmio de MELHOR BLOG DO ANO pelo Zona Punk Best of 2008!!! Muito obrigado mesmo a todos que votaram e que acompanham aqui. Me desculpem a ausência pois estou na estrada com a banda e está sendo bem puxado. Maravilhoso, mas puxado. Olhem a agenda:

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¤ DANCE OF DAYS "CANÇÕES PROIBIDAS" TOUR 2009
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[Fevereiro]
08.02.2009 | São Paulo @ Luar Rock Bar
14.02.2009 | Curitiba @ Opera 1
15.02.2009 | Curitiba @ Opera 1
21.02.2009 | Araraquara @ Caibar
22.02.2009 | Riberão Preto @ Mogiana
28.02.2009 | ***** Confirmando

[Março]
08.03.2009 | Santo André @ Catedral Rock Bar
15.03.2009 | Guarulhos @ Rancho
21.03.2009 | Bauru Sp @ Under Rock Bar
22.03.2009 | Cubatão @ Esporte Clube Jardim Casqueiro
27.03.2009 | Porto Alegre @ Manara
28.03.2009 | Sul ***** Confirmando (interessados entrar em contato)
29.03.2009 | Blumenau - SC @ Donna D Pub.

[Abril]
04.04.2009 | Piracicaba
05.04.2009 | Campinas @ Hammer
12.04.2009 | Ferraz de Vasconcelos @ Galpão Studio
19.04.2009 | Osasco @ The Wall Rock Bar
26.04.2009 | Belo Horizonte ***** Matriz - Confirmando

[Maio]
22.05.2009 | Nordeste ***** Confirmando - Produtora Virtuemúsica -
http://www.fotolog.com/virtuemusica
23.05.2009 | Nordeste ***** Confirmando
24.05 2009 | Nordeste ***** Confirmando


E isso sem contar que Janeiro foi LOTADOOOOOOOOOOOO. E somos uma banda independente olha só...

Mais uma vez muito obrigado.

Força sempre!

Nenê Altro