AC/DC e o melhor espetáculo da Terra
postado por luizpimentel em 28/11/2009

Acordei com a sensação de ter visto história ter acontecido à minha fuça.
E não teve absolutamente nada de imprevisível na tal história - um show do AC/DC, que já sabia o que ia acontecer do primeiro ao último dos 125 minutos.
Vou além: foi o terceiro show da banda no Brasil, que gosta de esperar década e pouco pra voltar - vieram em 85 e 96 anteriormente.
Em uma conta simples, dado que o vocalista Brian Johnson já passou dos 60, aposto 5 para 1 que foi a última aparição da banda pelo Brasil.
Mas fico neste nariz-de-cera, nesta enrolação, e não chego ao show.
Do ano? Acho que sim.
Melhor que Radiohead, Kiss, Heaven and Hell, Twisted Sister (os outros shows do ano para mim?).
Hoje diria que sim.
E provavelmente isso se confirmará, dado que de ontem para hoje a minha impressão da apresentação ficou ainda melhor.
Como dizia há uns 17 parágrafos, o show começa com um vídeo que prenuncia a entrada do trem no palco e a primeira música, "Rock´n´Roll Train".
Recebo uma mensagem de texto da Claudia Assef: "que palco foda!".
Que palco foda.
Emoldurado por dois bonés do guitarrista e estrela principal Angus Young vermelhos com chifrinhos.
E tudo acontece ali.
Angus Young aos 50 e tralalá (li 54, 56...tanto faz) é uma usina.
Meus amigos saem do show no êxtase dizendo que é o melhor guitarrista do mundo.
Não é. Nem de longe. Mas talvez seja o mais legal.
Ele faz a mesma coisa desde que eu nasci (praticamente), desde 1973. Perna nervosa se alternando, batendo cabeça, bonezinho, strip-tease em "The Jack", solo de guitarra com interação com plateia.
Está tudo ali, como o cardápio promete.
Brian Johnson dá sinal de cansaço na voz.
Cliff Williams tem os mesmos olhos fechados ao tocar batendo cabeça e o mesmo cabelo longo, mas agora grisalho.
Phil Rudd usa óculos para não errar as baquetadas, mas não deixa de fumar enquanto toca.
E Malcom Young - esse sim provavelmente o melhor guitarrista do mundo. Guitarrista base, diga-se. Pois sou da época em que se diferenciava guitarrista-base de guitarrista-solo.
É o homem-riff do AC/DC.
Ele que segura a assinatura da banda - os riffs clássicos.
Sei que é meio que dizer: "ah, se você acha o Zico bom é porque não viu jogar o irmão dele, o Teleco. Esse sim é craque".
Mas é verdade.
De qualquer maneira, se um dos dois irmãos sair, a banda acaba. Um segura o espetáculo. E o outro é o espetáculo.
A todos ao meu lado sabem que é um espetáculo.
Assisto da pista.
As pessoas não se contém. O Morumbi presencia o recorde mundial de air guitarristas.
"Back in Black", "You Shook me All Nite Long", "Shot Down in Flames", "Highway to Hell", "TNT", "Thunderstruck", o final apoteótico com os canhões e "For Those About to Rock".
Queima de fogos.
E a realidade de sair do Morumbi, pegar o carro, dormir, acordar e ter a convicção de que viu a história acontecer.
Mesmo que seja uma história quarentona, batida.
