Terça-feira de Terço

postado por flaviomonteiro em 30/07/2010

Faz umas duas semanas que não escrevo nada, e tenho CERTEZA que todo mundo ta se perguntando QQ ACONTECEU FLAVIO KD//?, né? Eu sei que estão ¬¬ Pois bem, meus amigos, eu estava na Argentina, e fui para lá justamente para fazer uma matéria especial para o blog! Mentira. Eu fui é pra conhecer lugares bacanas e comprar chapéus e ponchos, mas talvez eu escreva realmente sobre alguma coisa que vi por lá. Só que agora eu venho, por meio desta, cordialmente, apresentar minha experiência no último show da série “Sinfonia Psicodélica”, a série de shows no SESC Vila Mariana de que já escrevi anteriormente sobre as apresentações de Som Nosso de Cada Dia e Terreno Baldio. O último show foi de uma banda um pouco mais conhecida (talvez pela presença de Flávio Venturini no grupo): O Terço.

 

Hinds, Venturini e Magrão: remanescentes da formação clássica

 

Até eu sair pra Argentina, meio que por vacilo meu, ainda não tinha conseguido comprar o ingresso pra esse show, e tinha pedido pra alguns amigos comprarem. Infelizmente os ingressos já estavam esgotados. Bom, c’est la vie, né. Mas aí, no dia do show, a única pessoa que conheço que tinha ingresso não poderia mais ir, e perguntou se eu não queria comprar seu ingresso. Titubeei. Hesitei. Estava cansado, acabara de chegar em casa de uma longa viagem internacional, et cetera e tal,  e não sabia se teria pique pra ir. Mas, no fundo, a vontade de assistir a essa incrível banda pela primeira vez falou mais alto, e poucas horas depois eu estava sentado no teatro do SESC pra mais um espetáculo.

 

 

A banda já começou logo com 1974, uma suíte instrumental que fecha com chave-de-ouro o disco mais aclamado da banda, Criaturas da Noite, de 1975. E aí se sucederam diversos clássicos, passeando por progressiveiras megalomaníacas e rocks rurais praticamente acústicos. Bastaram alguns minutos para Sérgio Hinds provar que é um dos melhores guitarristas do Brasil (chupa Kiko Loureiro!), Flávio Venturini mostrar que ainda tem uma veia roqueira, e a cozinha formada pelos Sérgios Magrão e Mello quebrar tudo.

 

Fotos antigas da banda, onde podemos ver a lendária “tritarra” (guitarra de 3 braços) nas mão de Jorge Amiden, ex-integrante do grupo.

 

Tudo ia bem, tudo ia tranqüilo, eis que começa a música Criaturas da Noite. Tava tudo muito bonito, quando tive uma surpresa, bem, inusitada. Não foi de todo mal, mas não dá pra falar que foi agradável. Enfim, a música tem os seguintes versos:

 

“Os habitantes da noite
Passam na minha varanda
São viajantes querendo chegar
Antes dos raios de sol

Eu te espero chegar
Vendo os bichos sozinho na noite
Distração de quem quer esquecer
O seu próprio destino”

 

Quando a voz da primeira estrofe termina em “... raios de sol”, entra outra voz cantando “eu te espero...”, com o “eu” por cima do “sol”. A música ia normal, né, não sabia quem faria essa segunda voz direito, tava apostando no meu xará, mas aí entra uma quinta voz. Uma voz do nada. Uma voz inesperada. Quem seria? De repente, não mais que de repente, surge do lado direito do palco um brother com um microfone na mão. Olhei, olhei, olhei e não saquei direito quem era. Mas pensei “ah, deve ser filho do Flávio Venturini, sei lá, ou amigo dos caras, ou um integrante antigo que não cantava, já que o vocal tá meio zoado...”. Ao final da música, depois de um vocal tímido e sofrido e gesticulações babacas (tipo air guitar enquanto o Hinds solava), o mesmo Sérgio apresentou o cara: Paulo Ricardo! Eu pensei: q/ Sim, era ele, o ex-vocalista do RPM que sempre que ouço falar me vêm à cabeça “rádio pirata, capitalismo selvagem, ô oooo ô” – tá, eu sei que tá errado, só não lembro como é a música mesmo. Após ser apresentado, Paulo Ricardo disse algo como “quando éramos jovens, ouvíamos muito o Terço, assistíamos os shows, queríamos ser O Terço. E se existiu o RPM e grande parte do rock nacional dos anos 80, muita coisa se deve ao Terço”. Eu dei risada, né, pensei “PUTA QUE PARIU, OLHA O QUE VOCÊS FIZERAM?!!” Mas tudo bem, o show foi bom demais.

 

 

 

Então eles se despediram, e não acreditei quando vi pessoas indo embora. Cara, vai ter bis! Sempre tem bis! E, apesar de parecer uma propaganda gratuita de chocolates, tem que ter bis! E teve, a música mais óbvia para se começar um show, terminando-o: Hey Amigo. Junto com a banda voltou também o Paulo Ricardo, o que ficou muito bem sacado quando ouvimos os versos “hey amigo, cante a canção comigo”. E depois acabou de vez.

 

 

O Terço hoje é:

 

Flávio Venturini – teclados, violão e voz

Sérgio Hinds – guitarra, viola e voz

Sérgio Magrão – baixo e voz

Sérgio Mello – bateria e percussão

 

No final das contas, o show foi do caralho, e apesar de eu particularmente gostar mais do Terreno Baldio, acho que O Terço (que não tem esse nome pela quantidade de Sérgios na banda) encerrou muito bem essa série de shows, e sem dúvidas é uma banda obrigatória pra qualquer pessoa que se interesse por rock progressivo e/ou brasileiro. Só espero que os 18 reais a mais que paguei pelo ingresso (em relação aos outros 3, que foram 12 reais) não tenham sido por causa da ilustre presença de Paulo Ricardo.